Até Logo a uma Velha Amiga

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Ontem eu recebi a notícia que uma querida amiga faleceu.

O nome dela é Erlinda.

Quando eu era adolescente, a Dona Erlinda era a dirigente da então Organização Espiritualista Rosas Brancas – a nossa “casinha”. Eu vivi muitos anos bons nesse lugar, que teve uma forte influência na minha formação espiritual.

A Dona Erlinda foi uma pessoa que me acolheu em diversos momentos. E não só isso, ela demonstrou com suas ações muitos valores espirituais que eu acolhi e cultivo dentro do meu coração. Ela foi uma verdadeira líder para o nosso grupo, que era formado na maioria por mulheres mais velhas e idosas.

Lembro com carinho tantos momentos junto dela e de outras amigas que já não estão mais presentes!

A primeira vez que a vi, me chamou atenção aquela senhora já de certa idade, mas que mantinha seu gosto por se maquiar, colorir o cabelo, usar roupas chamativas. O jeito de ela falar, às vezes enérgico, às vezes brando. E a forma como ela conduzia os trabalhos. Ela tinha uma personalidade e uma presença que envolviam a todos.

Me vem à mente quando ela citava aquela “fé que não se compra no boteco na esquina”, ou quando nos convidava a fazer uma “oração bem-sentida e bem-vibrada”.

Ela ensinou todas nós como conduzir a casinha, como fazer cada um dos trabalhos, como se portar. Com todas as diferenças que havia entre as participantes, no dia de trabalho, quando colocávamos o jaleco branco, estávamos iguais. Se eu fechar os olhos eu ainda posso me ver lá.

Também recordo os trabalhos caritativos, especialmente no inverno, pra ajudar as pessoas. A Dona Erlinda fazia questão de entregar tudo que era arrecadado. Enquanto pôde, foi o que ela fez.

Todos os meses tínhamos a “terapia de grupo” porque ela sabia que as trabalhadoras precisavam também estar bem. E toda semana os momentos de café junto do brique, que nos aproximava, e unia.

Ela era a pessoa que pegava na mão da gente e nos levantava pra cima, ou quando necessário nos dava um simples abraço que acolhia.

Mais tarde na Vida, ela perdeu o esposo, e com isso um pouquinho daquela luz foi diminuindo com o passar dos anos. Eu acabei me afastando da casinha pra poder estudar, e depois no período da minha mudança como transgênero. Um bom tempo depois, quando voltei, ela já não podia me reconhecer mais.

O momento que percebi que a Dona Erlinda estava indo, e com ela toda essa época especial, foi quando – antes dos trabalhos do dia – convidaram ela para fazer uma oração, do jeito que só ela conseguia, e ela só balançou a cabeça, e disse baixinho “não”. Ali eu sabia que minha amiga estava se preparando pra partir.

Doeu em mim.

Há uns meses atrás eu tive um sonho em que eu estava de volta à casinha. E lá atrás, perto da porta dos fundos, ela me reconheceu, me abraçou e me disse: “a gente fez muita coisa né?” e eu respondi “sim, a gente fez”. Eu acordei chorando, e sentindo que a hora estava chegando.

Quando eu soube que ela se foi, um machucado se abriu no meu peito. Mesmo eu sabendo que a morte não é um fim eu chorei, e me ressenti.

Mas à noite, quando fui orar pela alma dela e pela família dela eu tive uma visão.

Eu me vi num lugar lindo, e vi Dona Erlinda como ela era quando a conheci. Ela me abraçou com força, e estava muito, muito feliz. Eu percebi que o esposo dela estava junto dela, e não só ele: mais adiante vi amigos e familiares dela, e pra minha surpresa toda a turma espiritual do Rosas Brancas. O clima era de uma grande festa, e eu só pude me emocionar e sorrir.

Eu conversei um pouquinho com ela, e agradeci por tudo que ela representa pra mim. E ela me falou “eu nunca ia te esquecer, mas o corpo da tia já tava fraquinho” (alguns chamavam ela de tia Erlinda) “agora eu tô livre”.

E então eu vi ela com os braços pra cima, mais do que contente, ir em direção àquele grupo que estava numa luz mais forte, tão grande, que esperava ela com tanta alegria.

Eu abri meus olhos, e percebi que a dor que estava machucando tinha passado.

Tudo que eu vivi e aprendi com a Dona Erlinda vai estar pra sempre em mim, e eu sei que no futuro vou poder compartilhar, fazer isso dar frutos para todos os que acompanham meu trabalho espiritual.

A Vida realmente nunca termina. Enquanto uns derramam uma lágrima, outros podem estar sorrindo. Há momentos em que temos a chance de nos reencontrarmos em pessoa, ou de ter um sonho e rever um amigo querido que já está na dimensão espiritual que é o nosso verdadeiro lar.

Eu já tive a bênção de usar meus dons pra ajudar pessoas a voltarem a esse mundo, e agora eu tenho a bênção de vê-los de volta ao astral.

Esse texto é a minha homenagem com todo amor à minha querida amiga.

Até logo, Dona Erlinda!

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