Como Eu Descobri Que Era Sensitiva

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“A Vidente Cigana” por Enzie Shahmiri

As pessoas me perguntam bastante isso e hoje resolvi contar minha história. Já adianto que eu não era nada paranormal na infância: não produzi fenômenos pirotécnicos e nem atrai um poltergeist pra dentro de casa.

Quando eu era criança nada de especial acontecia, mas fato é que sempre tive sonhos diferentes que pareciam querer dizer algo. Eu também via vultos e escutava coisas de vez em quando, como batidas e passos.

Teve uma vez que minha bisavó não estava muito bem e eu “cismei” que ia tirar a coisa ruim dela e tirei, ou pelo menos ela falou que ficou bem depois disso. Eu “arrastei” a energia imaginária até um copo com água na cozinha e despachei na pia, nunca tinha visto nem ouvido de alguém fazer isso.

Lembro também que sempre tive uma dificuldade tenebrosa pra dormir. Ou então, acordava sem sono e com medo no meio da noite. Com o conhecimento que tenho hoje penso que isso era uma reação pras cargas pesadas que às vezes tínhamos em casa.

Eu cresci numa família que tinha muitos médiuns, e por isso “causos” e experiências. Isso me fascinava: as histórias sobre o além. Mesmo assim minha criação foi católica – cheguei a fazer primeira comunhão e a a estudar na saudosa Escola Marista São José.

Pensando bem tinha uma aura particular nesse colégio, com toda sua dedicação a Maria de Nazaré e pelo fato de ficar logo ao lado da Igreja Matriz da cidade.

Foi apenas aos 16 anos que eu realmente me envolvi com o Espiritismo.

Fui parar na Organização Espiritualista Rosas Brancas no centro de Camaquã/RS. Era uma casa modesta composta na grande maioria de médiuns já idosas, e fui muito bem acolhida por elas.

Ao longo do tempo fui sendo integrada em todas as atividades da casa… Até que além de participar dos estudos eu fui parar na “mesa”, onde comecei fazer desenhos. Eram conscientes, ou semi, mas sempre vinham imagens que eu via na minha mente e ia passando para o papel.

Lá também participei dos passes, e na primeira vez que apliquei no público eu senti tanto calor que cheguei a suar. Uma das passagens interessantes que aconteceu por lá antes de eu me desligar da casa para ir estudar fora, foi após uma sessão de passes isolados quando encerrarmos e desceu um cheiro de flores sobre nós.

Mesmo assim eu não “sentia” exatamente coisas.

Foi nos meus 18 anos quando cursava Arquitetura & Urbanismo na UFPel, que começou a acontecer algo esquisito. Às vezes falando sobre uma pessoa ou pensando nela, eu via ela na minha mente como se fosse representada na imagem de uma fita. E essa “fita” tinha uma cor própria, um formato, um movimento… E a partir disso eu tinha sensações que diziam algo sobre a pessoa. Era difícil entender e bem rudimentar.

Dois anos depois eu voltei pra passar um ano na minha cidade-natal, abandonando o curso da faculdade porque eu estava em depressão. Recebi muita ajuda, e nesse período voltei ao Rosas  Brancas onde desenvolvi um pouco mais a habilidade de dar passes, desenhar e escrever intuída.

Claro que isso só aconteceu quando melhorei do meu quadro depressivo. Olhando para trás eu não conseguia ter dimensão exata do que estava errado. Hoje vejo que de certo modo isso serviu para direcionar minha vida para o caminho certo, num momento em que eu não tinha condições de me direcionar por mim mesma.

Em todos estes anos eu também mantinha um blog nos primórdios da internet no qual escrevia sempre sobre esse temas espíritas.

Pouco depois ainda na casa espírita eu finalmente ingressei nos trabalhos de “Pronto Socorro” que eram sessões de desobsessão. Um trabalho interessantíssimo que também ampliou minha capacidade de sentir, especialmente os desencarnados.

Novamente precisei sair porque fui estudar em Santa Catarina na UNISUL, onde fiquei 4 anos e meio na graduação em Naturologia Aplicada. Aí eu realmente me desliguei de frequentar centros, e de ter contato com a espiritualidade. Foi só perto do final do curso recomecei a ter sonhos super intensos que normalmente queriam dizer ou mostrar coisas… E passei a ter premonições – pressentir coisas que iam acontecer – e estas foram as minhas primeiras sensações mais intensas.

Depois de formada fiquei ainda um tempo em SC. Aí deu-se o “pulo do gato”, e o que eu considero um marco. Eu fiz o curso de Reiki I, e depois o II.

Quando fiz o II passei a treinar fazer Reiki à distância, e ao fazer isso não via ou sentia nada específico, mas conforme o tempo foi passando eu comecei a captar coisas dos lugares ou pessoas que mentalizava… Foi então que nessa época conheci o trabalho da médium Rosa Maria Jaques no YouTube, e notei que ela sentia coisas e via imagens na cabeça dela que simbolizavam informações.

Numa certa noite eu estava com um ex-namorado, e sua amiga estava desesperada ao telefone falando com ele sobre o sumiço de um irmão. Naquele momento vi nitidamente sem querer a imagem de uma camiseta de time de futebol e duas crianças e senti que ele estava bem e que ia voltar. Tive dúvida se falava ou não, mas lembrando da médium, resolvi chutar. Eis que aquele que vi era o time do coração dele e que ele tinha 2 filhos. Pouco tempo depois ele mandou notícias e mais tarde retornou à família. Foi aí que eu finalmente me dei conta que eu era Sensitiva, esse foi “o” momento.

Desde esse acontecimento me dei conta que na verdade desde sempre vi coisas na minha cabeça, só nunca suspeitei que elas pudessem querer dizer algo, que pudessem vir de “fora” de mim. E trabalhando com o Reiki e conversando com as pessoas, só fui confirmando e confiando mais e mais nessas percepções.

Depois veio um período em que recebia nomes de pessoas falecidas e a tentar contato com elas, também com essa “técnica” de visualizar as coisas (e não de ouvir ou psicografar como as pessoas imaginam). Eram mensagens em códigos e que tinham coisas que só a família podia identificar, às vezes precisando de algum tempo. Fui criando facilidade pra esses contatos.

Estudei um pouco de visão remota científica, o que ajudou bastante a começar a organizar um método de trabalho só meu.

Edit (21/2/19) – Mais madura eu retornei a Camaquã, fui trabalhar em consultório como Naturóloga. Eu nunca quis misturar meu trabalho com o trabalho espiritual. Porém, as coisas começaram a caminhar nesse sentido sem que eu controlasse… Tentei negar, mas percebi que quando aceitava as percepções elas ajudavam nos atendimentos. Eu até me especializei em Arteterapia e tive experiências extremamente satisfatórias, mas parece que a Vida tinha outros planos para mim. E naturalmente o interesse e a necessidade das pessoas se moveu mais para o Reiki e o Tarô.

Eu então senti que era hora de deixar oficialmente o consultório, e me dedicar a trabalhar à distância – o que foi um enorme treinamento não só de captar coisas, mas de lidar com energias.

Meu contato com os guias se tornou mais direto. Conheci algumas religiões, mas passei a me considerar uma espiritualista independente. O trabalho do Luiz Gasparetto em seus anos finais me inspirou muito com sua abordagem da estrutura energética do ser, e o estudo das Leis da Vida.

Com o passar dos anos eu desenvolvi a habilidade de “ouvir” (ocasionalmente) palavras, frases, textos do astral – foi isso que me ajudou a escrever o livro A Minha Verdadeira Vida (clique aqui); de explorar e enxergar melhor esse outro mundo e seus habitantes; de sentir aromas e de identificar rapidamente o significado dos meus sonhos e sensações; de como usar a energia para cura, para limpeza de maldades espirituais, ou para lidar com entidades; e finalmente como contornar aqueles velhos problemas de sono.

Considero que desenvolvi e continuo desenvolvendo essa sensibilidade que já vinha na minha família. Sei que é possível que meu lado sensitivo continue crescendo, e por mim mesmo estou sempre estudando e criando maneiras melhores de trabalhar.

Essa é a minha história. Minha sensitividade faz parte do meu trabalho, do meu tempo livre, da minha vida, de quem sou.

Que a Luz da Vida o abençoe com toda Paz e Luz!

5 comentários Adicione o seu

  1. Renato salão disse:

    oi adorei eu estou sentindo um chamado tbm é parece que estou louco vem de dentro de mim até arrepio quando falo esta um turbilhão ja passei tbm por religiões e credo até então ñ acreditava ou não tinha certeza só que agora ta muito nítido e estou com medo mais Sinto que é minha missão estou de mails pronta largando tudo que sereia muito pra muitos pra poder seguir essa energia forte e esse som música canto sei lá. espero que não esteje louco. mais vou me vi ai na sua história e sei que tenho que fazer.

  2. Tânia disse:

    Enfim, todos nós temos alguma sensibilidade e na maioria do tempo não entendemos as mensagens…mas creio que um dia chegaremos lá…
    Amei a sua história…me identifico em alguns momentos….e continuo em busca do meu aprendizado, crescimento e desenvolvimento e evolução espiritual.

  3. Patrícia disse:

    Estou me descobrindo, obrigada por compartilhar sua experiência.

  4. Valeska Vasconcelos disse:

    Oi, também sou de Camaquã!!
    Gratidão por dividir tuas experiências!!
    Também tenho alguns episódios que acredito que sejam relacionados a mediunidade,porém ainda me sinto perdida…
    Grata! Valeska

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