Fazemos o que podemos

Image

Quando eu tinha 11 anos de idade meu pai cometeu suicídio. Esse é um episódio da minha vida que comento muitíssimo pouco, mas hoje resolvi falar na esperança de que ajude alguém aí fora.

Ao contrário de outros suicidas ele não deixou uma carta, na melhor das hipóteses o esforço das pessoas gerou um porquê embaçado. Foi um momento em que passamos por privações emocionais e materiais… Eram muitos dias acordando, achando que estava tudo bem para logo lembrar que estava tudo diferente.

Se algo assim acontece perto de você, você se sente culpado. Você se questiona: “mas se eu tivesse estado”, “se eu tivesse visto”, “se eu tivesse feito”, “se eu não tivesse falado”, “se pudesse ter dito”, “se eu soubesse”… Nos afundamos nessa ilusão de que poderia ter sido diferente, de que teríamos algum poder, mas é isso, apenas ilusão.

Ao olhar para trás, crescendo, comecei a ter a sensação de que tínhamos sido castigados… E de que nunca haveria felicidade além daquela época, de que estávamos presos ao fantasma de um acontecimento. O que quer que houvesse: “se ele estivesse aqui, seria melhor”. Embora tocante, essa ideia se torna uma prisão à medida que cria barreiras, um limite para a realização.

Custou muito tempo de vida até eu começar a entender que fazemos o que podemos. Tudo que aconteceu é só aquilo que poderia ter acontecido… Mesmo caindo na luta, e nos arranhando feio, apanhando, ainda estávamos tentando fazer o melhor. Se não conseguimos, se não foi possível, não tínhamos condições. Portanto, aos olhos de Deus e da sabedoria, não existe culpa, existe ignorância.

Por isso, houve um momento recente em que precisei entender que meu pai fez o que podia. Talvez tenha sido errado, talvez… Ainda assim, ele não poderia ter feito de outra forma – ele simplesmente não sabia o que fazer, e tentou. Se ele soubesse das consequências, ele teria tido outro caminho, mas ele não poderia saber: a cabeça não ajudou, a coisa foi forte demais, ele não se orientou bem… Não há culpados e nem culpa. Há uma palavra só que se chama “responsabilidade”, e com ela está tudo bem.

Mesmo que eu seja médium e algumas vezes tenha visto ele, e até recebido uma mensagem ou outra, não trarei ele de volta. Apesar de tudo, a vida aqui é um grande presente, uma oportunidade de ouro mesmo quando ela está ruim. Ela passa rápido.

A mensagem de hoje é uma mensagem de redenção. Não se culpe, e não se sinta mal de voltar atrás… Todos, sem exceção, estamos aprendendo, tentando dar o nosso melhor. Como alguém que trabalha com pessoas eu posso dizer que a abertura de rever, o sincero arrependimento, o desejo de consertar, são dos maiores engatilhadores de luz na energia humana. Eles conseguem romper negatividade e pesos incríveis à medida que trazem a paz perdida.

A pessoas que estão muito fechadas, não há uma palavra ou um gesto que consiga ter a capacidade de quebrar seu livre-arbítrio. Você pode tentar dar o que é capaz de bom, e até escorregar no ruim… E não haverá o que fazer. É cada um consigo, e o entendimento como o ressentimento nascem de nós pra nós mesmos.

Tire o dia hoje pra consertar aquilo que precisa, se você tiver essa oportunidade. Caso não tenha, tire o dia pra conversar o o Tempo e faça as pazes, sabendo que tudo o que houve, foi do jeito possível… E caso esteja pensando em desistir, espere mais um pouco se possível. Faça aquilo que consegue, vá até onde pode, reconheça seus limites e das outras pessoas, e fique bem.

Cada sol que nasce é um milagre construído pelas nossas decisões. Vamos tomar uma atitude diferente.

Ofereço essa mensagem do dia ao meu pai por estar me ensinando a respeitar as pessoas, obrigado.

Vinde a mim, todos os que estai cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.

Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para as vossas almas.

Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo e leve.

(Mateus 11:28-30)

1 comentário Adicione o seu

  1. Maristela Campos Del lorto disse:

    Quando eu tinha 2 anos meu pai foi assassinado à traição. Percebo hoje que tenho grande dificuldade de confiar nos outros, mesmo que todos me considerem ingênua.

E você, o que está pensando?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s