Conhecendo o Reino dos Céus

Este texto está disponível em Áudioclique aqui.

Todo mundo conhece uma pessoa que sempre tem uma história ruim pra contar, com aquela energia negativa tóxica que mata até as plantas de casa. Mas também todo mundo tem um certo prazer em contar coisas de sua vida, dificuldades que passou pra alcançar algo, ou então sofrimentos que levaram a um determinado conhecimento, etc. Isso porque temos vivido uma verdadeira cultura de valorização do drama pessoal.

Bom, qual o problema disso? O problema é que realmente acreditamos que as únicas coisas que possuem valor são as sofridas, as batalhadas, as dificultosas. Tendemos a valorizar essas histórias. Num segundo momento nós tendemos, como coletividade, a recriar essas condições tanto na nossa vida quanto na vida em geral. Somos muito apegados à ideia do negativo, e isso nos torna ansiosos. A constante preocupação com os resultados futuros, e que origina a ansiedade, é uma faca de dois gumes.

A história do mundo está marcada por diversas revoluções de conhecimento em todos os campos. Quando há todo um discurso sobre escassez e finitude eu gosto de sentar e pensar na riqueza que existe em todos os cantos do Universo. Também, há duas centenas de anos atrás – apenas, diante da eternidade – nossa tecnologia era completamente diferente. A todo momento nascem pessoas e se originam coisas que facilitam a vida. A criatividade humana sempre beirou o milagroso. Muitos conhecimentos tem sido negados ao mundo apesar de já descobertos porque vivemos no egoísmo.

A figura de Jesus é normalmente vista como a figura do mártir, do sofredor, daquele que foi traído, daquele que chorou e daquele que abnegou. Contudo eu pessoalmente creio, e com os relatos dos amigos espirituais, que a vida do Cristo que enxergamos é uma visão fragmentada. Jesus como homem, como “cara”, também foi alguém que se divertiu, que sorriu, que tinha alegria no seu coração. Ele provavelmente sentia um grande prazer em falar com as pessoas, em curar, simplesmente porque eram seus dons e porque quando fazemos o que gostamos nós sentimos realização. Além de tudo isso, ele ainda encheu nossa bola: explicou que podíamos mover uma montanha quando tivéssemos Fé do tamanho de um grão, que tínhamos condições de fazer mais e ir além do que ele mesmo foi, e que o Reino dos Céus está na gente.

Aí mora um ponto importante.

Um amor bem sentido normalmente é uma força de felicidade, de alegria, uma força realizadora e criativa. Amando, ampliamos isso pras coisas e pessoas ao nosso redor. Jesus recomendava que amássemos a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo como a nós mesmos. Isto é, o amor nasce de dentro e permanece dentro de nós. É uma dimensão de ser em que somos melhores e damos o nosso melhor, e que está em nós, é incondicional e independente. O externo, o outro, nos ajuda a acender uma chama cujo potencial é nosso. Podemos amar cada vez mais, e ainda mais ao longo do tempo e das fases da vida. O estado de ser amoroso é o “céu”, é o Reino do qual Jesus falava. É um estado de ser onde podemos ser felizes no mundo e construir uma nova Terra.

Jesus também falou que o Reino dos Céus é das crianças. Por que? É fácil observar: as crianças tem menos resistência a perdoar, a aprender, a amar, a cuidar, a se expressar. Elas não têm o conhecimento e nem a maturidade para fazer isso em toda sua extensão, mas têm duas coisas importantíssimas: disposição e abertura. É difícil enquanto adultos nos colocarmos dispostos e abertos porque diante das coisas ruins queremos sempre que se resolva do nosso jeito, sempre culpamos alguém de fora, ou até mesmo excessivamente a nós, e nos enfiamos num buraco sem fundo.

Retomando o início do texto, ao reforçar o negativismo, estamos pouco ajudando a nós mesmos ou às pessoas. A vida traz sim desafios, mas são desafios de crescimento e superação de nossas crenças negativas, de nossos conceitos tortos. E quando as doutrinas espirituais falam de evolução e perdão, elas não falam isso para nos tornar mártires. O que há na evolução, em melhorar a si mesmo é justamente alegria, é uma vida melhor. E é ! É a construção do tal Reino dos Céus sobre a Terra (“venha a nós o Vosso Reino“). Quando nos dispomos a melhorar, a procurar o ponto em nós que precisa de atenção, contribuímos para um mundo melhor. Ao crer em amor, prosperidade, soluções, também.

Os desafios vêm e devemos enxergá-los como oportunidades. Não odiar as coisas em si e nem as pessoas, mas tentar entender porque atraímos aquilo, o que queríamos antes daquilo, e onde podemos melhorar para deixar aquilo para trás.

Jesus onde está não deve estar desesperado ou aflito. Ele deve estar com um sorriso pequeno em seu rosto, porque sabe que apesar dos milênios nós ainda nem sabemos o que estamos fazendo. Ele deixou todo o mapa de uma vida boa em suas palavras, e sabe também que ao tempo certo cada um chegará lá com ou sem sua ajuda. Ele nos vê com nossos problemas igual vemos uma pessoa chorando por comida dentro de uma cozinha: temos um aprendizado, mas temos todos os recursos ao nosso redor.

Desapaguemos de nossas histórias difíceis e nossas imagens de pessoas que superaram as dificuldades (que usamos porque gostamos de um pouquinho de admiração). Vamos falar nas coisas boas que temos e que adquirimos sim, e deixar o passado pra trás, tentar encontrar as soluções e o que podemos fazer no agora, no presente. Valorizar o fácil, o que traz prazer, o que é legal, tudo que gostamos.

Quem sabe um dia ao entrar na casa de alguém, ao invés de morta a planta consiga até ficar mais bonita?

E você, o que está pensando?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s